Já estou farta de música alemã. Quanto é que terei de pagar para tocarem qualquer coisa com uma porcaria de uma letra? Finalmente, começa a dar um remix de uma música que já podia ir para o "há séculos que não ouvia isto", Ayo Technology do Justin e 50 Cent. Vamos dançar. Todos menos o Will, que insiste que não sabe dançar. A Ana puxa-o e insiste mas ele recusa e acho melhor não o aborrecer. Nós vamos. O George começa a dançar agarrado a mim e aperta-me contra ele com tanta força que sinto as maminhas esmagadas contra o peito dele. A Ana está a fazer aquelas danças sexys que só ela sabe fazer e eu começo a ver tudo a girar, começa a doer-me a cabeça. Tenho o nariz mesmo colado no pescoço do outro e começo a sentir o meu peso deslocar-se todo para cima dele. Faço um esforço para me abanar, ele dança bem mas preferia mil vezes dançar com o Will ainda que ele dance pessimamente. Não aguento, tenho de me sentar.
O Will continua na mesa, a mexer no telemóvel. Espero que não esteja a falar com nenhuma gaja e só de pôr essa hipótese, o meu estômago dá um nó sobre si mesmo. Sento-me ao lado dele e começo a mexer distraidamente no seu cabelo comprido, enrolando-o nos meus dedos.
A Ana está ao colo do Tod a cantarolar qualquer coisa, não parece muito bem, e ele alterna beijinhos e dentadinhas amorosas no pescoço dela com goles de cerveja. A minha cabeça lateja. Estou maldisposta.
- You are okay? - Pergunta o George. O Will volta-se para mim e apoia a minha cabeça no ombro dele. Não estou nada okay. Mas finjo estar.
- I'm fine. - Quase murmuro. - Just a bit tired.
A Ana e o Tod levantam-se e ela diz-me:
- Joana... eu e o Tod... bem, nós vamos indo... tu sabes... - E desata aos risinhos, desiquilibrando-se pelo que ele põe os braços em volta da sua cintura fina. No meu estado normal dar-lhe-ia 101 recomendações mas limito-me a um "have fun" enquanto ele lhe pega ao colo de maneira desastrada e desaparecem do meu campo de visão. Torno a encostar a cabeça no Will ao passo ele vai bebendo uma cerveja. Os outros dois também já não estão lá.
O Will começa aos soluços.
- What's wrong? - Pergunto.
- I think I drank too much... - Inclina-se para a frente e põe a cabeça entre as mãos.
- You want to vomit or something?
- Nein, nein... I'm okay. - Ergue-se mas fraqueja e volta a cair ao meu lado. Rio-me estupidamente.
- I drank too much too. No problem. - Sem mais rodeios, deito-me em cima dele e já é uma espécie de instinto abrir a boca porque não consigo pensar em nada. As minhas mãos já vão nem eu sei bem onde quando um amável colaborador do estabelecimento nos interrompe e diz qualquer coisa ao Will.
- What did he say?
- He said we could go upstairs where is more privacy.
- Shall we?
- What?
- If we should go?
- Ja. Let's go. - Desembaraçamo-nos com dificuldade e apoaimo-nos mutuamente até umas escadas fluorescentes. Já lá em cima, somos conduzidos a um género de cabine onde consigo destinguir uns sofás em pele negra e as paredes encarnadas. Rebolamos lá para cima sem hesitações a qualquer escala. Sei que parto uma unha enquanto estou a abrir-lhe as calças e que ele tem as mãos a puxar-me o vestido mas tenho muito pouca noção de tudo o resto que acontece. Se começarmos para aqui a fazer coisas, só espero que não esteja ninguém a ver.
Depois de algum tempo já não me estou a sentir muito bem. Isto é bom mas já me dói o maxilar. Ele parece estar a gostar muito mais do que eu porque solta uns gemidos e empurra-me contar o sofá. Tem um joelho praticamente espetado na minha barriga o que me faz sentir ainda mais nauseada. Quero vomitar. Preciso de. Afasto-o bruscamente e enrolo-me sobre mim mesma, com vómitos.
- Are you okay?
- No... I'm not. Shit, I'm not. - Mas mal aquilo acalmou voltei a atirar-me para cima dele e continuar o que estava a fazer.
- Do you want to go to the hotel? - Pergunta-me, ofegante.
- Yours or mine?
- Do you remember your hotel?
- Absolutely not.
- So, let´s go to mine.
A partir daí, tenho flashes do táxi, das pessoas a olharem para mim, de uma entrada de hotel muito ampla e clara. E depois, não me lembro de absolutamente mais nada.
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
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